sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Textos Antigos I - Podes ir...


Tudo que se vive, com todo o calor, intensidade, amor, paixão, olhares, plenitude, desejo, com o tempo, tudo se intensifica, ou se amorna, ou simplesmente se vai.


Por mais triste, desesperador ou frustrante que possa parecer, temos que ter a sabedoria, a consciência ou simplesmente a razão, para permitir que parta.


Enche os olhos d'água ver todo o encanto se ir, como uma borboleta azul que quer seguir a direção do pôr-do-sol, vc abre a mão chorando, mas tem que deixar partir. Se prendê-la, ela simplesmente apodrecerá em sua mão e só restará a lembrança de uma vida que arbitrariamente vc permitiu fenecer, por egoísmo de querê-la um pouco mais ao alcance, na tentativa de resgatar, de tudo voltar a ser como era.


Vá, eu permito que partas, mesmo chorando, para que tudo esteja vivo um pouco mais, mesmo que longe, mesmo em outra mão, acalentando-me só de saber que ainda respiras, LIVRE.


"No emotion, any more than a wave, can long retrain its own individual form... (Henry W. Beecher)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Amor

Confesso que sempre tive ressalvas com o Amor. Não simpatizo com sentimentos que nos roubam totalmente a razão e nos faça tão vulneráveis, a ponto de concedermos permissão a outrem para invadir nossa alma, molhar nosso instinto, nos fazer tão animalescos e tão humanos ao mesmo tempo. Como posso conceber que alguém além de mim tenha tanto poder para me elevar e para me destruir? É como entregar uma arma e dizer: Só vc tem permissão para me machucar.
Parece hipócrita eu dizer isso sendo sub, símbolo da absoluta e plena entrega. Mas esta mesma entrega, se tratando de nós, é gradual, recíproca e contínua, um passo de cada vez, um conta-gotas. O Amor faz a gente de pernas abertas, amarrada, acorrentada, amordaçada e pendurada numa velocidade tão vertiginosa, sem controle algum, tão repentinamente, tão irracionalmente, tão surdo aos apelos de alguém que só quer a alma de volta.
Tão profunda felicidade e tão profundo magoar que caminham juntos, noite e dia, moldando o relacionamento, os sentimentos, as palavras a serem ditas e ouvidas.
Você se encontra novamente, com as cândidas quimeras da sua infância, quando começa a perceber que as pessoas sempre tem alguém, ao seu lado ou no seu bem-querer, na esperança de transportar esta pessoa tão amada nos seus dias, ou ao menos cultivando lembranças. Seus paradigmas, éticas internas, seus valores, nobrezas e pequenezas, e principalmente expectativas, as vezes frustradas, as vezes até superadas. Conviver com seu sonho. Ou não. E o quanto se aprende, na ausência e presença do ser dos seus sonhos.
Amando tão profundamente alguém que vi de longe e tanto desejei, tanto sonhei e por quem tanto fiz, para o bem e para o mal. Menti, enganei e usei pessoas, inclusive sexualmente, na esperança de ter O HOMEM perto de mim. Faço, até hoje, com a mesma coragem e amoralidade que me levou a assumir isso aqui, declaradamente.
P.S: Não é uma declaração de amor. Não é a intenção, ao menos não conscientemente. Mas como sub é um bicho tão entregue, acho complicado sair palavras da minha boca, ou catacteres do meu teclado, que não sejam mensagens apaixonadas para ELE.
P.S2: Não parece, mas gosto do meu blog.
P.S3: Não me importo com opinião de leitor, sinto muito, posso ler, mas não me influencia.
P.S4: A opinião DELE me importa e muito.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Espectros


[Este texto possui zero de modéstia. ]



Eu sei e sou tanto de mim, como pessoa, mulher e escrava, que paira em mim uma certeza, uma legitimidade, uma integridade de SER, que esta legitimidade me transborda, em meus gestos e palavras, e aos olhos das pessoas.


De repente eu me vejo cercada de gente que me lê, e que muitas vezes nem tem coragem de botar a cara aqui pra fazer um comentário, e esta gente vem beber as minhas palavras, e não achando pouco uns dias depois eu vejo as minhas palavras por aí, na boca/posts de outras.


E um mundo de fantoches de mim por aí, dizendo as mesmas palavras do que eu. Dá pena desta gente que vem como se eu fosse o seu espelho, logo eu uma maldita, um quase contraponto ao universo BDSM. Porque não fiz este blog pra lamber o pé do meu Dono, até pq eu faço isso pessoalmente ;) , mas para dizer o que este universo e estas pessoas e estes acontecimentos são para MIM.


Gente que vem aqui tentar sugar a minha legitimidade, o meu absoluto - de ser quem eu sou, como se isso fosse de fato uma parte da vida dela. Mas isso não dura, porque é teatro. Mesmo com toda a força que vc queira que as minhas palavras sejam o reflexo da sua alma e dos seus desejos, nunca serão.


Eu sou fonte.

Não sou eu que com palavras vou te construir,a construção do que vc é, falando em integridade, não se dará aqui nas minhas loucuras, nas minhas verborragias, e sendo muito franca, nem aqui na net. Sorry.

Tudo o que eu sou eu fui atrás, a teoria não me basta, eu fui ARDER, eu sou moldada em sangue, cera de vela e couro de chicote, com gosto de corda e ballgag na boca.


Quer ser fonte, vá atrás, não é sentada aqui me lendo que vc vai ser moldada. ;)

DOM... Juan.


Esta coisa de sassaricagem virtual me dá NOJO.

Vc tem sua pessoa aqui na net, e no começo é aquele clima de pura sedução e vcs são UNO. Se saciam um do outro, em imagens, palavras, corpo, alma. E um belo dia vc olha seu homem pulando de galho em galho, em cima de gente por vezes tão desinteressante que te dá vergonha de ser dele.


Se no mundo baunilha isso já é ruim, imagine no BDSM.

Vc tem seu mestre [aqui é minúsculo mesmo] tem aquele clima da negociação, do quanto vcs são felizes em terem se descoberto, as afinidades, as *doces e sádicas promessas* , vcs se encontram, o desejo no ar, as primeiras sessões e no meio do encantamento, vc vê SEU dono no patético exercício da galinhagem virtual.


Vem cá, o que os Mestres de hoje andam procurando? Encher a senzala ou ter sua escrava de forma plena de forma que tudo que ela seja, é pra vc?


Muitas vezes ele tem te possuiu de todo, nem aquebrantou sua alma, nem destruiu suas resistências, ou seja, ele nem te possuiu direito, o que diabos ele quer na rua mesmo?


Este donjuanismo...Eu já fui adepta no mundo baunilha. Eu achava uma certa graça em ter um alvo, e em beleza, sedução e estratégia, tê-lo em meus braços. E em tantas vezes e tantas vezes que me cansou e eu parei pra pensar. Vi que mesmo seduzindo o mundo inteiro, o(a) mais bonito(a), o(a) mais cobiçado, o(a) mais difícil, no fundo não se possui nada porque não te SACIA. É ter sede e beber água do mar. A sedução é vazia, o ter absoluto e plenamente é o que mata a sede,a fome.


Eu aviso que dono que ousar fazer esta gracinha comigo, mais dia menos dia tem sua coleira de volta, e cuspida. Se não quer se SACIAR de mim, SUMA.



Cuéntame que harás después que estrenes su cuerpo

Cuándo muera tu traviesa curiosidad

Cuándo memorices todos sus recobecos

Y decidas otra vez regresar

Ya no estaré aquí en el mismo lugar...

;)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Tem coisa na net que eu leio e não consigo entender.

Só pra facilitar o entendimento. Eu leio horrores daqui. De comunidades, posts, perfis...

Aí li: "Sou uma mulher que amo (sic) minha submissão."

Como eu poderia dizer "eu amo a minha submissão"?

Eu não sei se poderia dizer desta maneira, eu sei que eu VIVO a minha submissão. O que eu sei é que eu AMO ser dominada. E não me realizo com menos.

Não sei se a autora da frase acima é assim, mas estas frases parecem demais com aquelas subs cheinhas de si. Que se amam tanto por ser assim que devem lamber os próprios pés em júbilo. Hahahahahaha como pode gente? Eu posso compreender que auto intitular-se sub pode ser atraente. Que podem julgar-nos melhores do que as outras. Brinco que parafraseando Chico Buarque, somos daquelas que só dizem sim... E que isso pode ser interessante de se ver até mesmo para um baunilha. Tantas eu já vi, que inventavam um Dono e faziam um perfil bonito, para ter amigas e homens que a admirassem. Tsc.

Eu me orgulho sim, de ser submissa e me assumir como tal. De dizer que eu sou incompleta e preciso de um Dom em tempo integral. Que eu preciso de um Homem que me arranque a alma em dor e prazer, que me bata e por quem eu lamba o chão.

Eu não consigo ser de um baunilha. Eu não consigo nem transar com um baunilha.

Quem se realiza na cama de um qualquer, ah que bom pra vc.

Pq *trepar* pra mim é muito pouco, eu preciso é ser SUBJULGADA, USADA, eu preciso que o homem FERVA em mim. Eu preciso sentir toda a dominação do Dom no meu corpo. Eu preciso ser metida até sentir a minha alma se partir em duas. Eu quero gotejar sangue, dor e gozo. Eu lembro rindo que quando eu estava com meu marido, eu pensava em outra coisa ou fazia sexo quando não queria, só pra sentir um pouco daquela sensação de domínio, de romper-me. E eu gozava alucinadamente, em outro mundo.

Ultimamente antes de conhecê-Lo, eu quase não transava. Sexo casual está loooooooonge de me satisfazer. Vc se contenta com quem vem e puxa seu cabelo e te dá tapinha na bunda? Quando eu cruzava com um cidadão destes, ou ria ou ficava fula de ódio. Pq aquilo é dominação? Se nem bate de verdade.

Não falo só de sessão. Sabe como é isso? É outra qualidade de sexo. Sexo com quem te domina, com MÃO grande que vem e te toma. E aquele corpo que se apossa do seu. Baunilha um cacete, é sexo de verdade, é gozo de fato e ponto final.


Eu sou uma sub *cara* pq não me contento com pouco. Não é meia dúzia de poesias que vão me conquistar e me encoleirar. Aliás o Meu não me mandou poesia nenhuma, mas quando eu o vi, tão MAIOR do que eu, e aquela atmosfera de desejo nos rendeu a tão ponto que naquele bar entupido de gente e música alta, éramos só Ele e eu no mundo. A certeza de que eu encontrei O homem me jogou direto pros braços Dele até hoje.

Não entendeu?

Eu NÃO fiz este blog em busca de compreensão tá minha gente?

Eu não preciso de 645512359 seguidores, se precisasse eu teria investido em aprender a mexer naqueles mil quilos de aplicativos que deixam o blog cheio de parafernálias, como eu vejo de tantas subzinhas que criam uma vida surreal, como se BDSM fosse o reino da fantasia. Eu não sou sub fofa. Eu sou um bicho, uma peste, duelo com o Dono e NOS desafio até Ele me aquebrantar inteira. Até que aonde Ele for, e onde Ele toque, não se ofereça mais nenhuma resistência.

Eu fiz este blog por mim. Eu queria me exorcizar aqui e quem não quiser ler é só recorrer ao AltF4. ;)

{moth} - Ƹ̵̡Ӝ̵̨̄Ʒ


Encoleirada!

Quanta alegria e honra!

Desde o dia 19/02 sou DELE.


Devidamente encoleirada.E isso basta.
;)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Rabiscos de uma beuda


[Se vc é daqueles viciados em liturgia, se poupe de ler isso que é forte demais pro seu coraçãozinho] ;)

Porra, vou escrever a coisa mais escrota deste blog, mas trepar com baunilha é foda, no mau sentido.


Em primeiro lugar, cadelinhas leitoras, n venham cheias de merdinha dizer que não trepam com baunilhas, suas mentirosas do caralho. Eu SEI muito bem que a maré não tá pra peixe, onde eu moro e onde vcs moram, vcs que me mandam um quilo de e-mails e não deixam comentário. rsrsrs Até pq vcs mesmas me dizem isso. Muito bonita a abstinência até achar um mestre decente, um que não seja um cretino, que não fique sassaricando em tudo que é profile de submissa, que saiba o que está fazendo, e que esteja preparado pra assumir a entrega que fazemos quando nos deixamos encoleirar, pq parece muito tentador ter uma cadelinha na cama e na vida, mas ter uma alma na mão não é pra quem quer, é pra quem tem condições, em suma. Mas o corpo pede, a bebida piora tudo e de vez em quando a gente se dá o desfrute. E se lasca.

Estou eu no bar e encontro um cidadão. Eu já alcolizada, topo dormir na casa dele depois de horas de mais bebidas ainda, e chegando lá, o cara n tem camisinha (ainda bem que eu tinha duas, e me poupe se vc acha que é feio mulher andar com camisinha. Feio é não usar, voltar pra casa invicta porque ele não tinha), me estraga uma (!), e na hora do vamos ver é uma merda completa, e começa com uns tapinhas, dizer que vc é a escrava/putinha dele, e começar a puxar seu cabelo.

Hahahahahaa não teve jeito, eu comecei a rir.

Tá vendo como a parada tá banalizada? "Um tapinha não dói.." As musiquinhas populares estão pregando a baunilhice apimentada. Estamos em voga, cadelinhas leitoras.

Vcs gostam? Eu acho uma merda.

Primeiro que isso desperta uma multidão de gente doente que vê na dominação a chance de estravazar as suas parafilias, e ele vem aqui na net, lê um pouquinho pra ter uma retórica na manga, um discurso convincente para atrair e pronto. Consegue uma multidão de iniciantes, ávidas para experimentar, muitas que acham ser e no fundo não são. Desnecessário dizer que ser escrava é muito mais do que aguentar palmadas e chicotadas? Não; não neste novo cenário. Estes loucos são capazes de tudo, com uma pobre alma desta na mão. E até mesmo quem tem estrada pode se enganar com um tipinho destes. Eu mesma, mesmo com anos de experiência, já caí, e depois de ter um revólver apontado pra cabeça, depois de ter desmascarado um fake, posso dizer que todo mundo está sujeito, até mesmo quem vai sentar na própria soberba pra me dizer que é fácil descobrir quem é quem.

Segundo que baunilha fica achando que toda mulher gosta desta merda toda e vai fazendo.

Babe, bater não é simples. É cenário, enredo, situação e JEITO. Aham, existe jeito certo de bater e puxar cabelo. E eu não vou te ensinar. Em primeiro lugar vai aprender a trepar direito, que com isso vc vai aprender inclusive a hora certa de fazer isso. E o jeito certo. E se vc tiver a grande chance na vida de pegar uma escrava, vai se perder em um mundo de sensações e se inebriar diante da entrega, vai deslumbrar-se como ao ver um nascer do sol.

Esta foi uma das piadas da noite. O cara com uma camisinha só, queria anal. Mais risadas né? Sem condições.

Anal só rola com tesão e intimidade, duas coisas que ali não haviam.

Não achando pouco, o cara ainda fala que minha tatuagem é vulgar.

Diante de tudo isso, bebi muita água, e fui dormir.


E até agora, estou aqui bêbada e puta de puro ódio, de como a gente se aborrece no mundo baunilha.
De como tem mané no mundo.

E postei aqui pq a piada é exatamente esta. Homem que nem trepar sabe, querendo dominar e nos chamando de escravas.


Onde isso vai parar?


Tem muita escrava boa por aí, passando o mesmo que eu passo. Decidi que baunilha na minha cama, só se for "O" cara. Eu não preciso da submissão para gozar, mas para viver. Entende a sublime diferença?


Pq eu não quero só trepadinha, sexo de qualquer jeito e que se acha em qualquer esquina não me interessa mais faz tempo. E eu depois de tudo que foi supracitado me cansei desta merda. Vou preferir a solidão. Só quero agora quem me amarre, para ter até a minha alma. Quem me faça rastejar, lamber os pés e joelhos, sugar e me fazer dar até o que eu não tenha. Que me chame de todos os nomes e me arranque o êxtase. E sim, que me bata e me puxe o cabelo. Do jeito certo.


Minha amiga linda Sux bem me disse: "Vc teve um Deus, não vai se conformar com os mortais."


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Rabiscos-Solidão de um Espírito Perturbado


Estes dias sem escrever,foram acompanhados de um tédio absoluto.
Eu não sei ser boazinha. Não sou nada boazinha. Sou uma peste.Meus amigos me chamam de "demônia" e com razão. Sou arruaceira e caçadora de confusão. Sou mega mal humorada, impulsiva, violenta. Tenho horror a gente comum e previsível, gente que tem que sair correndo pra pegar o ônibus, gente com medo de transgredir, de ir além. Tenho horror a gente que não lê, de gente com preguiça intelectual. Que se satisfaz com o que vê na televisão, com aquele show de vidas irreais da novela, com aquele jogo de cartas marcadas do BBB.

Detesto manhãs, a não ser pelo nascer do sol. Odeio acordar cedo, e tenho paixão pelas madrugadas, uma saudade horrorosa de passar a noite com alguém que eu ame, que eu admire, a noite inteira acordada ao inteiro dispor de quem eu venero.

E por ser assim tão intensa, que necessito de alguém que eu ame,admire, e que eu tema.


Não é qualquer homem que me faz ajoelhar. aliás estes andam cada vez mais raros. Eu reparei hoje, que faço sexo cada vez menos. Os baunilhas me entediam numa velocidade tamanha, que eu não tenho tempo de desejá-los. Quando vejo, já os lancei para longe de mim.
O sexo casual já não me encanta mais faz um bom tempo. Fica sempre aquele vazio depois. E não é o vazio sentimental. É o vazio da insatisfação, de não ter sentido o que gostaria.
O meu espírito está gritando dentro de mim, pedindo que eu vá embora, que eu abandone esta cidade que eu detesto, e eu precisando ficar, precisando encerrar este maldito ciclo, pq só depois disso eu estarei finalmente liberta. Neste meio tempo, só me resta o tédio e a solidão absoluta.

Saudades do meu Dom que a morte levou, saudades daquela voz que me acalmava o coração.

Então, você quer ser uma escrava ?


Este texto é um dos mais fabulosos que já li. é longo, mas vale muito a pena ler e refletir a respeito.

Eu decidi escrever esse artigo porque eu tenho visto muitas submissas entrando nesse estilo de vida esperando que as coisas sejam perfeitas, como se fosse um sonho. Eu não desejo arruinar os sonhos de ninguém, nem afastá-las da idéia, mas o que eu desejo é explicar como as coisas realmente são.
Ser uma escrava pode ser, e tem sido para mim, uma vida maravilhosa. É tudo o que eu sempre quis ser. É também mais do que eu esperaria e ter alguém explicando para mim as realidades, antes da minha decisão, teria facilitado a minha transição. Para os objetivos desse artigo, estarei endereçando as questões relativas a ser uma escrava 24x7. Os comentários são meu ponto de vista, ou seja: uma escrava tendo um Dono. Mas isso não exclui outras combinações (masculinas-femininas). Claro que, para essas outras, não posso comentar sobre experiências pessoais. O que segue são as minhas experiências da vida real.
Primeiro, há algumas coisas que você precisa descobrir a seu respeito. Você quer estar numa relação 24x7? Quem sabe você deseja somente ser escrava durante as sessões? Ou talvez você deseje ser escrava apenas durante algumas atividades. Há diversas maneiras para ser uma escrava, e você terá que descobrir por você mesma o que é o adequado para você.
Há algum tipo de roupa que você goste? Cores ou perfumes que você sempre gosta de usar? Se seu Dono não aprovar, pode ser que você se veja usando roupas e cores com as quais você jamais sonharia. Quem sabe ele poderá escolher as suas roupas pela manhã? Será que você está preparada para aceitar graciosamente as escolhas dele? E se ele escolher roupas totalmente inapropriadas para o local onde você irá, você aceitará sem hesitação ? Eu tenho a sorte dele permitir que eu escolha as minhas roupas a maior parte das vezes. Mas, a qualquer tempo, ele poderá desejar que eu use outra coisa e eu terei que me trocar imediatamente. E, acredite-me, ele realmente pode exercitar esse direito. Eu aprendi a sempre perguntar o que ele deseja que eu use, quando vamos a algum local especial.
Estará você preparada para trocar seu estilo de cabelo, cor ou comprimento, para satisfazer seu Dono? Tudo isso passará a ser decisão dele, após você aceitar a sua coleira, da mesma forma que qualquer outra coisa que foi sua. você não mais terá nada. A partir do momento no qual você aceitar a coleira, tudo será dele. Você não mais terá o "seu" carro ou "suas" roupas, mas "dele", que as emprestará a você quando ele o desejar. Se ele desejar, você não usará nenhuma roupa. Isso será escolha dele e não sua. Lembre-se: você terá que abrir mão do seu direito de escolha.

Você tem uma cadeira favorita ou uma certa forma de sentar ou caminhar? Seu Dono decidirá se você sentará na cadeira ou no chão. Ele terá a palavra se você irá cruzar as suas pernas ou se sentará com elas bem abertas. Você terá que pedir permissão para deitar-se ou para sentar-se. A maioria das escravas tem direito a um colchão no chão, sobre o qual podem deitar-se sem pedir permissão, porém a liberdade termina por ai. Você terá até que pedir permissão para sentar-se à mesa para comer junto a seu Dono.
Foi um dia cheio no trabalho. Você chega em casa desejando apenas tomar um bom banho e relaxar. Bem, isso depende da vontade DELE. Estar cansada, sentindo-se mal ou até doente não a libera das suas tarefas básicas de preparar a refeição dele, cuidar das coisas dele e você irá para a cama quando ele ordenar, estando você preparada ou não. Não haverá um "estou muito cansada" ou "não me sinto bem" ou até "estou na TPM"; nada disso. A menos que ele libere você das suas tarefas, será sua responsabilidade executa-las.
É sua responsabilidade informar seu Dono sobre seu estado de saúde. Afinal, cabe a você cuidar das coisas dele e você é uma das coisas que ele mais preza. Sabendo do seu estado, ele provavelmente liberará você das suas obrigações e cuidará para que você sinta-se melhor breve, em condições de voltas às suas atividades e capacidades.
Muitas vem para este estilo de vida esperando serem usadas sexualmente, para servir seu Dono quando ele o desejar. Mas eles nem sempre consideram esse aspecto. O aspecto predominante na vida da escrava é estar a serviço do Dono e não ser servida por ele. Entretanto, estar sempre pronta para ele, a qualquer hora, pode ser uma expectativa não prevista. A velha desculpa "hoje não, querido, estou com uma dor de cabeça ..." não funciona no ambiente D/s.
Para assegurar que ele tenha prazer, você deve sempre expressar o seu prazer também. Nunca faça-o sentir que sexo é uma obrigação para você; algo que você só faz por ser parte da situação. Ao contrário, demonstre que você tem prazer com a relação.
Se seu Dono mandar você fazer alguma coisa, você não poderá questiona-lo. É sua obrigação responder ou agir sem fazer perguntas. Mais tarde, se isso for permitido na sua relação com ele, você poderá pedir permissão para fazer suas perguntas. Entretanto, é importante que você as faça apenas para satisfazer sua curiosidade, jamais para questionar a autoridade dele.
Você acha que ser uma escrava é ser coagida, forçada a servir? Você acha que você jamais poderia fazer isso a menos que fosse coagida? Então, pense de novo. Escravas entram no relacionamento por livre escolha. Não estamos mais nos dias de escravidão forçada; é uma questão de escolha. Sua escolha ! Você é a pessoa que irá decidir entregar seu poder para seu Dono. E você irá fazer isso não porque você será forçada a tal, mas porque você precisa disso. Sim, durante seu relacionamento, você será obrigada a fazer coisas, mas nunca será nada contra aquilo que você é. Seu Dono poderá sentir que o fato de você obedecer à um determinado comando ajudará você a ser uma pessoa melhor ou ajudará você a se desinibir.
E como é o seu temperamento? Será você uma "estouradinha", sempre pronta a perder o controle quando está zangada? Ou será você uma dessas que tudo aceitam e, de repente, se aborrecem por acharem que seus sentimentos foram feridos? Um Dono não deseja ter um capacho como escrava, nem alguém que viva tentando dizer a ele como fazer as coisas. Aprender quando e de que forma dizer as coisas será algo muito importante no seu relacionamento. Se você não disser ao seu Dono o que a incomoda, então você não terá nenhum direito de ficar zangada posteriormente. Por mais que você o ache onipotente e maravilhoso, ele não lê mentes: a menos que você diga, ele não terá como saber. A chave, como eu disse há pouco, é saber como dizer a ele.
Sua auto-disciplina é muito importante nessa relação. Você tende a postergar as coisas? Você não poderá fazer isso tendo um Dono. Haverá tarefas que seu Dono te dará que ele espera que sejam cumpridas numa forma e velocidades definidas por ele e não por você. Os desejos e necessidades dele serão colocados antes dos seus. Auto-disciplina é semelhante à auto-controle. Sua habilidade em completar as tarefas definidas pelo seu Dono será muito importante. Como uma escrava, você terá a necessidade de controlar suas ações de forma a permanecer dentro dos limites impostos por ele.
Se ele disser que você não pode algo, você simplesmente não pode. Fazendo de qualquer forma ou não contando a ele não torna a atitude correta. No caso de uma relação Dono/escrava, o que ele NÂO sabe pode machucar-lo da mesma forma que pode machucar a relação que você levou tempo para construir. Mesmo uma simples mentira "inócua" pode destruir a confiança necessária para realmente estabelecer esse tipo de relacionamento.

Sobre as suas necessidades e vontades: você sabe a diferença entre elas? Se ainda não, eu recomendo fortemente que você as descubra antes de entrar na servidão. Algumas vezes pode ser difícil distinguir, mas será importante que você faça isso. Seu Dono irá assegurar que todas as suas necessidades sejam satisfeitas, mas as suas vontades, ou desejos, serão uma opção dele permitir ou não. Necessidades são requerimentos da vida para que você se mantenha saudável física e emocionalmente. Isso nos permite crescer espiritualmente e emocionalmente. Se você pode sobreviver sem uma determinada coisa, então essa é apenas uma vontade. E vontades são usualmente dadas como recompensa por bom comportamento.

Para ser uma escrava, haverá uma série de coisas a aceitar dentro de você e situações às quais se adaptar. Seu primeiro objetivo na vida será ver o prazer (tanto mental quanto físico) do seu Dono, da forma em que ele o deseja. Para fazer isso, você deverá aprender bem sobre ele. Descubra o que o agrada e o que o desagrada. E, note que isso não significa apenas na área sexual. Você aprenderá que o sexo é apenas uma parte do seu relacionamento.
Aprenda a antecipar todos as necessidades dele, sem que seja algo forçado. As necessidades e vontades dele compreenderão estímulo intelectual, prazer físico, apoio emocional e outras coisas que serão únicas à ele. Lembre-se: físico não é apenas sexual. Prazer físico poderá incluir, sem estar limitado, tocar, massagear, petiscos favoritos, roupas e cores, como exemplo. Será seu trabalho garantir que os prazeres físicos dele sejam satisfeitos de todas as formas. Pense sobre os cinco sentidos a torne o ambiente agradável para ele. Nunca esqueça: a coisa mais agradável para ele deve ser você.

Como escrava dele, você deverá descobrir o que agrada o seu Dono. Ele não deverá precisar pedir constantemente por coisas básicas - você deverá aprende-las. Se o copo dele está vazio, quietamente e de forma oportuna, você o encherá. Lembre-se você está fazendo isso para o prazer dele e não o seu. Apenas por ele não notar ou agradecer, não quer dizer que você esteja fazendo errado. Observe o sorriso dele. Ele está confortável? Se ele estiver alegre e contente, então você está trabalhando bem e o contentamento dele deve ser a sua recompensa. Mantenha em mente que você faz as coisas para ele e não para a sua própria satisfação. Sua felicidade deve vir de servir a ele e do fato dele estar alegre.

Como eu disse no início desse artigo, não estou tentando amedrontar e afastar você do mundo D/s. Meu objetivo é assegurar que, uma vez que você entre nesse mundo, você o faça de olhos abertos, sabendo completamente o que esperar. A estrada não será fácil. Você deverá re-aprender muita coisa do que você sempre teve como garantida: coisas que você faz sem nem mesmo pensar, como simplesmente sentar numa cadeira. Estes são ações sobre as quais a gente nem pensa mais. Isto é, até que você encontre o seu Dono.
Tudo o que você aprendeu antes de ler esse artigo provavelmente é verdade. Ser uma escrava é uma vida maravilhosa: é onde você é cuidada por alguém. A maior parte das decisões está fora das suas mãos e nas mãos do seu Dono. Mas muitas decisões ainda serão deixadas para você tomar. A maior parte dos Donos deseja uma escrava que seja esperta, que tenha senso de humor e vontade própria. Não há prazer em ter um capacho que apenas fica lá, aguardando ser pisada. Ele ficaria aborrecido bem rápido. Ser você mesma é o melhor conselho que posso dar e isso tem sido uma verdade absoluta para mim.

Ser uma escrava será tudo o que você sempre sonhou e muito mais, se você entrar nessa vida sabendo exatamente o que esperar dela. Se você realmente desejar esse tipo de vida, você perceberá que, logo após você entrar nela, você estará flutuando no ar. Partes do seu ser que nunca foram completas ou satisfeitas se completarão. Entregando o controle a outra pessoa, eu encontrei a minha liberdade: a liberdade de descobrir e ser a pessoa que eu sou, por dentro.
Espero que, após ler esse artigo, você seja capaz de fazer uma escolha mais consciente sobre esse tipo de vida. Nunca esqueça que o requerimento mais importante para a existência desse tipo de vida é a honestidade. Honestidade para com você mesma, em primeiro lugar. Entretanto, você descobrirá que isso não é tão fácil quanto parece. Uma vez que você aprender isso, você encontrará a sua paz e poderá entrar na servidão com sua mente clara, sabendo onde você está e para onde você deseja ir. Quando você aceitar a coleira do seu Dono, você abrirá mão dos seus direitos. Seus amigos, sua vida - nada permanecerá como seu. Ser uma escrava significa abrir mão de muito mais do que ser apenas uma submissa. Você abrirá mão de todos os seus direitos na vida. Escrava não é apenas uma palavra; é um estilo de vida, uma ação definida. Bem, minha amiga, eu desejo que você aprecie este estilo de vida tanto quanto eu aprendi a amá-lo.

[By Miria Hunter, Tradução de Sr. Carcereiro]

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eu,em outras palavras.


Estas palavras li num profile há muuuuuuuuuito tempo,e me identifiquei de tal maneira que as tomei como minhas. Se quer conhecer-me, estou aqui:

"Eu sou uma jovem universitária que gosta de BDSM desde pequena. Mas só tive a oportunidade de praticá-lo há bem pouco tempo. Nesse tempo de prática eu aprendi a apreciar o bondage, dominação, shibari, spanking... Mas isso tudo feito com certo “glamour” e “romantismo”. E, para ser gostoso, é necessário que seja com alguém a quem eu goste e admire muito. Não faço sessões com desconhecidos ou “só por fazer”. Procuro alguém para um envolvimento BDSM, mas, a meu ver, para o BDSM ser legal é preciso que haja um envolvimento “baunilha” maior ainda. Caso contrário, me soa leviano.
Gosto do BDSM vivido e não só praticado entre quatro paredes. Sou o tipo de sub que, mesmo em público, gosta de demonstrar sua submissão, como, por exemplo: abrindo portas, enchendo o copo, não se afastando sem permissão, não se sentando sem uma ordem antes... Rs. E acho isso totalmente erótico. Isso, claro, em relação ao meu “dono”, quando tiver um; e não em relação a desconhecidos.
Eu acredito que não é com “a quantidade de chicotadas que consegue agüentar” que se avalia uma sub. Uma sub deve ser avaliada pelo seu “saber se comportar”. Isso é infinitamente mais difícil. Estou falando de submissão, e não de simples masoquismo. Isso não implica agüentar a dor, mas sim polir o orgulho. Submissão significa acatar e obedecer a quem conquistou a sua admiração e confiança.
Um corpo para açoitar é muito fácil de conseguir via internet. Mas a “entrega de alma” é bem mais complexa. E é isso que eu estou procurando. Ou isso ou nada. Prazer por prazer eu faço muito bem sozinha.
Foi também em um relacionamento BDSM que eu aprendi que não se deve ter vergonha de expressar os sentimentos... E também que se a pessoa a qual você dedica esses sentimentos não for inteligente o suficiente para compreendê-los, então ela não é digna de se considerar o seu “dono”.
Aprendi também que a vida se resume à 3ª Lei de Newton: Para toda ação corresponde uma reação de mesma intensidade, mesma direção e sentidos opostos. Em outras palavras: quem procura, acha! RS.
Aprendi que uma noite significa apenas isso: uma noite. E mesmo “promessas” muitas vezes são quebradas. E “para sempre” é muito tempo.
As derrotas têm que ser aceitas para que se possa seguir em frente... Ainda que elas não sejam compreendidas nunca. E, por fim: Nem tudo depende de você!
Se você se identifica com tudo foi exposto acima... JOIN!"

[By Alexia]

To Be or Not To Be?


Eu ando numa época de conflitos, em que vejo escapar entre os dedos o meu bom punhado de certezas.

Eu estou um tanto distante da minha vida virtual,e me perguntar o que eu quero da vida. Da minha vida como sub, de uma sessão, de um Dom. Se quero uma Domme. Se quero escarificações novamente. Se quero ter irmã de coleira. Se apenas sessões de satisfazem,e principalmente, se o BDSM é mais do que um jogo erótico pra mim. Tenho a impressão de que estou o tempo todo me contradizendo, e ando tão paradoxal que estou com medo de mim mesma.Medo do quanto estes conflitos podem me influenciar. Porque estou verdadeiramente perturbada, e cheguei a magoar uma pessoa que é dona da mais verdadeira das estimas que abrigo em minha alma já combalida.

Me perturba especialmente, que minha quimera de uma relação tentativa de 24/7, com todo o envolvimento afetivo e emocional que isso implica, tudo o que eu tive tão plenamente em minha vida BDSM, e agora parece inalcançável e impossível.Agora se eu entro em negociação,avalio 10,100 mil,vezes. Sempre atenta a qualquer desvio de conduta. Se eu não me vigio, me vejo esperar pelo Top Encantado. Isso faz com que eu deixe de viver coisas que talvez me acrescentariam como pessoa,como sub. Mas estou em um ponto em que eu não consigo evitar isso.

Eu sempre quis bem mais do que está ao alcance do meu braço, e isso embora me proteja muito,me resguarde mais ainda,e me faz mais seletiva poupando-me de aborrecimentos, torna a minha vida nada pragmática.Me traz um punhado de decepções. Faz-me pensar que eu estou regredindo em minha vida sub e até em minha vida pessoal.

E neste conflito existencial vou seguindo, maldizendo a frase:"Quando vc tem todas as respostas,vem a vida e muda todas as perguntas."