terça-feira, 7 de abril de 2009

Espectros


[Este texto possui zero de modéstia. ]



Eu sei e sou tanto de mim, como pessoa, mulher e escrava, que paira em mim uma certeza, uma legitimidade, uma integridade de SER, que esta legitimidade me transborda, em meus gestos e palavras, e aos olhos das pessoas.


De repente eu me vejo cercada de gente que me lê, e que muitas vezes nem tem coragem de botar a cara aqui pra fazer um comentário, e esta gente vem beber as minhas palavras, e não achando pouco uns dias depois eu vejo as minhas palavras por aí, na boca/posts de outras.


E um mundo de fantoches de mim por aí, dizendo as mesmas palavras do que eu. Dá pena desta gente que vem como se eu fosse o seu espelho, logo eu uma maldita, um quase contraponto ao universo BDSM. Porque não fiz este blog pra lamber o pé do meu Dono, até pq eu faço isso pessoalmente ;) , mas para dizer o que este universo e estas pessoas e estes acontecimentos são para MIM.


Gente que vem aqui tentar sugar a minha legitimidade, o meu absoluto - de ser quem eu sou, como se isso fosse de fato uma parte da vida dela. Mas isso não dura, porque é teatro. Mesmo com toda a força que vc queira que as minhas palavras sejam o reflexo da sua alma e dos seus desejos, nunca serão.


Eu sou fonte.

Não sou eu que com palavras vou te construir,a construção do que vc é, falando em integridade, não se dará aqui nas minhas loucuras, nas minhas verborragias, e sendo muito franca, nem aqui na net. Sorry.

Tudo o que eu sou eu fui atrás, a teoria não me basta, eu fui ARDER, eu sou moldada em sangue, cera de vela e couro de chicote, com gosto de corda e ballgag na boca.


Quer ser fonte, vá atrás, não é sentada aqui me lendo que vc vai ser moldada. ;)

DOM... Juan.


Esta coisa de sassaricagem virtual me dá NOJO.

Vc tem sua pessoa aqui na net, e no começo é aquele clima de pura sedução e vcs são UNO. Se saciam um do outro, em imagens, palavras, corpo, alma. E um belo dia vc olha seu homem pulando de galho em galho, em cima de gente por vezes tão desinteressante que te dá vergonha de ser dele.


Se no mundo baunilha isso já é ruim, imagine no BDSM.

Vc tem seu mestre [aqui é minúsculo mesmo] tem aquele clima da negociação, do quanto vcs são felizes em terem se descoberto, as afinidades, as *doces e sádicas promessas* , vcs se encontram, o desejo no ar, as primeiras sessões e no meio do encantamento, vc vê SEU dono no patético exercício da galinhagem virtual.


Vem cá, o que os Mestres de hoje andam procurando? Encher a senzala ou ter sua escrava de forma plena de forma que tudo que ela seja, é pra vc?


Muitas vezes ele tem te possuiu de todo, nem aquebrantou sua alma, nem destruiu suas resistências, ou seja, ele nem te possuiu direito, o que diabos ele quer na rua mesmo?


Este donjuanismo...Eu já fui adepta no mundo baunilha. Eu achava uma certa graça em ter um alvo, e em beleza, sedução e estratégia, tê-lo em meus braços. E em tantas vezes e tantas vezes que me cansou e eu parei pra pensar. Vi que mesmo seduzindo o mundo inteiro, o(a) mais bonito(a), o(a) mais cobiçado, o(a) mais difícil, no fundo não se possui nada porque não te SACIA. É ter sede e beber água do mar. A sedução é vazia, o ter absoluto e plenamente é o que mata a sede,a fome.


Eu aviso que dono que ousar fazer esta gracinha comigo, mais dia menos dia tem sua coleira de volta, e cuspida. Se não quer se SACIAR de mim, SUMA.



Cuéntame que harás después que estrenes su cuerpo

Cuándo muera tu traviesa curiosidad

Cuándo memorices todos sus recobecos

Y decidas otra vez regresar

Ya no estaré aquí en el mismo lugar...

;)